TRE-PR terá de aguardar juiz indicado por Lula para julgar Moro

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O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) retomou nesta segunda-feira (22/1) as sessões administrativas e de julgamento em 2024, porém, ao contrário das expectativas, não pautou o julgamento de duas ações contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). O ex-juiz é acusado pelo PT e pelo PL de caixa 2, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.

Porém, as ações só poderão ser votadas depois de fevereiro. São dois motivos que impedem a análise nos dias atuais: o relator dos casos, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, ainda não concluiu seu voto, nem liberou o processo para votação; e o quórum de votação não está completo. Para analisar Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes), o TRE precisa ter em plenário todos os sete juízes que o compõem.

 

Porém, acaba nesta terça-feira (23/1) o mandato do juiz titular Thiago Paiva dos Santos, que ocupa uma das vagas destinadas à classe dos advogados. Os juízes substitutos José Rodrigo Sade e Roberto Aurichio Júnior também deixam a Corte Eleitoral nesta semana.

Para ocupar os cargos, é necessário que seja aprovada uma lista tríplice, que deve passar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O edital para a vaga do TRE chegou à ministra Isabel Gallotti, relatora no TSE, em dezembro. A assessoria consultiva da Presidência da Corte deu parecer favorável em 17 de janeiro, e o presidente, ministro Alexandre de Moraes, autorizou a publicação.

Depois que as impugnações forem analisadas, a lista escolhida e aprovada, os nomes são enviados para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que fará a indicação. Como o TSE só volta do recesso em 1º de fevereiro, o nome que vai para Lula será escolhido depois disso. Até lá, não há chances de Moro ser julgado.

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Ações

As acusações contra Moro estão em duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes), de autoria do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL). Segundo os autores, Moro cometeu abuso de poder econômico, arrecadação e gastos eleitorais ilícitos, além de mau uso dos meios de comunicação, uso indevido de comunicação social e de caixa dois.

As legendas pedem que o ex-juiz seja cassado e fique inelegível por oito anos. Elas alegam a existência de irregularidades nas contas de Moro. Um dos apontamentos é de que ele teria se beneficiado de verba disponibilizada pelo Podemos, partido pelo qual se candidatou à Presidência, em sua campanha para o Senado pelo União Brasil.

A Procuradoria negou pedidos da defesa de Moro para trancar a ação e concordou em ouvir testemunhas ligadas ao caso. Moro nega as acusações.

Possibilidades

Com o nome a ser indicado por Lula compondo o quórum de desembargadores, o TRE-PR pode julgar os casos. Se o plenário condenar Moro, ele pode recorrer da decisão ao TSE. Os autores das ações também podem levar o caso à Corte Superior, caso Moro seja absolvido.

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Como as acusações se estendem ao advogado Luís Felipe Cunha, suplente de Moro, caso ocorra a cassação da chapa, novas eleições devem ser convocadas para o Senado no Paraná.

Em dezembro de 2023, a Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná deu parecer favorável à cassação do mandato do senador. Para o órgão, houve abuso de poder econômico durante a pré-campanha eleitoral de 2022.

“Diante de todo o expendido neste parecer, somente baseado no que consta dos autos, a Procuradoria Regional Eleitoral no Paraná manifesta-se pelo julgamento de procedência parcial dos pedidos formulados nas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) nº 0604176-51.2022.6.16.0000 e 0604298-64.2022.6.16.0000 a fim de que se reconheça a prática de abuso do poder econômico, com a consequente cassação da chapa eleita para o cargo majoritário de senador da República e decretação da inelegibilidade dos srs. Sergio Fernando Moro e Luís Felipe Cunha”, concluíram os procuradores regionais eleitorais Marcelo Godoy e Eloisa Helena Machado.

 

Depoimento

Durante depoimento do senador, também em dezembro, Moro optou por responder as perguntas do relator das ações e do Ministério Público, mas ficou em silêncio diante dos questionamentos dos advogados do PT e do PL.

Ao deixar o prédio da Justiça Eleitoral, Moro declarou ser inocente e chamou o processo de inconsistente. “O que você tem é um monte de nada, um grande castelo de cartas, que nós começamos a desmontar hoje, destacou.

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