A narrativa publicada pela Folha neste dia 20 de novembro, afirmando que o PL nacional decidiu apoiar Otaviano Pivetta ao governo de Mato Grosso, ignora fatos recentes e declarações públicas que mostram exatamente o contrário. Se houve algum aceno nesse sentido, ele pertence a um passado distante, abortado antes mesmo de criar raízes.
Basta ver a entrevista de Abílio Brunini, prefeito de Cuiabá e filiado ao PL, desmontando a tese de alinhamento automático com Pivetta. Abílio classificou como “erro estratégico” qualquer tentativa de aproximação entre Mauro Mendes e setores bolsonaristas. Na visão dele, o movimento fracassou e respingou diretamente no projeto de Pivetta. Não é alguém de fora falando: é o prefeito da capital, dentro do partido, dizendo abertamente que o barco do Republicanos já a deriva.
Abílio também afirmou que o PL deve “seguir com candidatura própria em 2026”, um recado cristalino de que não há adesão construída, muito menos consolidada, ao nome de Pivetta. Pelo contrário: o partido sinaliza autonomia e rejeição a uma candidatura tutelada por Mauro Mendes. Isso por si só já inviabiliza a versão romantizada da Folha.
Outro ponto ignorado no texto é o desgaste público entre Eduardo Bolsonaro e Mauro Mendes. Se o governador mal consegue manter diálogo com o principal nome nacional do bolsonarismo, como supor que o candidato apoiado por ele teria aval pleno do PL?
Ou seja: enquanto a Folha pinta um cenário de apoio nacional ao Republicanos, as declarações internas mostram um quadro de distanciamento, ruído e perda de confiança.
Enquanto isso, a Folha tenta vender uma leitura linear e limpa: “PL apoia Pivetta”. Na prática, o que existe é um projeto de Pivetta fragilizado. O apoio que a reportagem afirma existir não se sustenta nos fatos, nas falas, nem no comportamento das lideranças do PL em Mato Grosso.
Se há algo definido hoje, é apenas isso:
A realidade é menos romântica que a manchete.
















