A defesa de Antenor Alberto de Matos Salomão contestou aspectos do processo que apura um feminicídio ocorrido em 2023, no município de Rondonópolis. As informações constam em entrevista concedida ao portal Marreta Urgente pelo advogado criminalista Thiago Ranniere, que apresentou questionamentos técnicos sobre a investigação e esclareceu a situação funcional da magistrada mencionada em denúncia ao Conselho Nacional de Justiça.
Segundo o advogado, a juíza Maria das Graças Gomes da Costa não é investigada criminalmente e não responde a qualquer procedimento penal. De acordo com a defesa, também não há indícios de suspeita criminal contra a magistrada.
Ranniere informou ainda que o afastamento da juíza foi determinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em caráter cautelar e temporário, pelo prazo de 90 dias, com possibilidade de reavaliação. Conforme o advogado, o afastamento decorre de suposto descumprimento de decisão judicial, o que, segundo ele, não ocorreu, pois não teria havido intimação formal para cumprimento de qualquer obrigação.
Posição da defesa sobre o crime
A defesa sustenta que Antenor não é o autor dos disparos que resultaram na morte de Leidiane Souza Lima. O crime ocorreu em 2023, em Rondonópolis, e foi registrado por câmeras de segurança.
Segundo Ranniere, um parecer técnico pericial juntado aos autos aponta diferença superior a 14 centímetros de altura entre o executor identificado nas imagens e o acusado, o que, na avaliação da defesa, fragilizaria a tese de autoria.
Após a juntada do parecer, a defesa solicitou a realização de perícia técnica judicial oficial, com acompanhamento do juízo e do Ministério Público. O pedido foi negado em primeira instância e, conforme informado, é objeto de recurso no Superior Tribunal de Justiça.
Questionamentos apresentados pela defesa
A defesa também aponta divergências na investigação policial. Entre elas, a alegação de que o acusado apresentaria dificuldades de locomoção, versão que é contestada. De acordo com o advogado, Antenor possui uma disfunção no braço direito, condição que, segundo a defesa, comprometeria a capacidade física necessária para a execução dos disparos.
Outro ponto mencionado refere-se às imagens de câmeras de segurança. Conforme a defesa, foi possível reconstituir parcialmente o trajeto do executor até o local do crime, mas não há registros visuais que mostrem a saída do autor após os disparos.
A defesa afirma ainda que informações relacionadas ao histórico pessoal da vítima não teriam sido consideradas no curso da investigação.
Pedido de suspeição
Por fim, o advogado informou que a defesa protocolou pedido de suspeição contra a juíza responsável pelo processo do feminicídio, apontando 13 situações que, segundo ele, indicariam comprometimento da imparcialidade na condução do caso.
O processo segue em tramitação na Justiça, e as informações apresentadas refletem a versão da defesa, conforme entrevista divulgada pelo portal Marreta Urgente.
















